Como funcionam os carros de F1 e sua bateria

Um F1 não é um carro elétrico, mas também não é um carro comum a combustão. É um híbrido, e desde 2026 quase metade da sua potência vem da bateria.

Dois motores trabalhando juntos

Motor a combustão
Um V6 turbo de 1,6 litro que entrega cerca de 400 kW, perto de 540 cavalos.
Motor elétrico
Chamado de MGU-K, entrega até 350 kW, perto de 470 cavalos. É quase o triplo de antes de 2026.
Até 202580 %20 %Desde 202653 %47 %Motor a combustãoMotor elétrico
Como a potência é dividida entre os dois motores.

Juntos chegam a cerca de 1.000 cavalos. A divisão ficou perto de metade e metade, enquanto até 2025 era de cerca de 80 para 20.

De onde vem a eletricidade

Na corrida ninguém liga o carro na tomada. A bateria recarrega com o carro em movimento, e há três formas principais:

  • Freando: o motor elétrico funciona como gerador e transforma a frenagem em eletricidade.
  • Tirando o pé antes da curva: o carro recupera energia mesmo antes de o piloto frear.
  • Com o pé no fundo, no fim de uma reta: parte da potência do motor vai para carregar a bateria. Isso é chamado de super clipping.
Frear ou tirar o péO motor elétrico gera energiaBateriaGuarda a eletricidadeAcelerarO motor elétrico soma potência
A energia perdida na frenagem volta depois como potência na reta.

Até 2025 também se recuperava energia do calor do escapamento com uma peça chamada MGU-H. Ela foi eliminada em 2026 para reduzir custos e facilitar a chegada de novas fabricantes.

Por que às vezes perdem velocidade na reta

A bateria não dura a volta inteira em potência máxima. Quando acaba ou o carro começa a recarregar, a velocidade cai mesmo com o piloto de pé no fundo. Não é defeito: faz parte da gestão de energia.

Por isso hoje importa tanto como cada piloto gasta e recupera energia. A maior parte é automática, com programas escolhidos pela equipe, mas o piloto decide momentos-chave com o Boost e o modo de ultrapassagem.

Como a energia é usada em uma volta

Pense na bateria como uma carteira. O piloto ganha energia em certas partes da volta e gasta em outras, e ela nunca dá para tudo. Uma volta típica é assim:

  • Reta principal: motor a combustão e elétrico no máximo. A bateria esvazia rápido.
  • Frenagem forte: o motor elétrico recupera energia a cada frenagem.
  • Curvas lentas: o piloto acelera com cuidado para não patinar, e a eletricidade ajuda a sair rápido.
  • Final de uma reta longa: às vezes o carro corta a potência elétrica e começa a carregar, mesmo com o piloto de pé no fundo.

Os engenheiros programam essa sequência para cada circuito. Em pistas com muitas frenagens fortes é fácil recuperar. Em pistas de retas longas e poucas frenagens, como Monza, a energia fica mais difícil de conseguir. Por isso alguns circuitos favorecem certos carros.

Na corrida, além disso, os pilotos muitas vezes tiram o pé antes de frear e deixam o carro rolar alguns metros. Isso se chama lift and coast e serve para economizar combustível, recarregar e poupar os freios.

Quantos motores cada piloto pode usar

Um motor de F1 não é trocado quando se quer. Cada piloto tem um limite por temporada para cada peça:

PeçaMáximo por temporada
Motor a combustão3
Turbo3
Escapamento3 jogos
Bateria2
Eletrônica de controle2
Motor elétrico, MGU-K2

Se um piloto ultrapassar o limite, perde posições no grid: 10 na primeira vez que excede o limite de uma peça e 5 nas seguintes. Por isso, às vezes você vê um piloto rápido largando do fundo sem ter feito nada de errado. As novas fabricantes, nos primeiros anos, recebem uma peça extra de cada tipo.

Quem fabrica os motores em 2026

Há 11 equipes e apenas cinco fabricantes. Por isso várias equipes compram o motor de outra, e isso as deixa em parte presas ao desempenho dele:

FabricanteEquipes
MercedesMercedes, McLaren, Williams, Alpine
FerrariFerrari, Haas, Cadillac
Red Bull FordRed Bull, Racing Bulls
HondaAston Martin
AudiAudi

O que isso tem a ver com um híbrido de rua

A ideia é a mesma: um motor a combustão e um elétrico que se ajudam. Eles também recuperam energia ao frear, igual a muitos carros híbridos vendidos hoje.

A diferença está na escala. Um F1 usa e recarrega a bateria em questão de segundos, muitas vezes por volta, e com uma potência enorme. Além disso, nunca é ligado na tomada durante a corrida. Tudo o que ele gasta precisou ser gerado na pista.

O que é cada peça

Quando a transmissão fala em troca de motor, quase nunca se refere a uma coisa só. O que chamamos de motor é um conjunto de peças, e cada uma é contada separadamente:

Motor a combustão
Queima o combustível para mover o carro, igual ao motor de um carro de rua.
Turbo
Usa os gases do escapamento para colocar mais ar no motor e extrair mais potência.
MGU-K
É o motor elétrico. Empurra o carro ao acelerar e gera eletricidade ao frear.
Bateria
Guarda a eletricidade para ser usada mais adiante na volta.
Eletrônica de controle
São os computadores que decidem quanta energia é usada e quando.

Uma quebra em qualquer uma delas pode acabar com a corrida. E como cada uma tem seu próprio limite por temporada, uma equipe pode trocar só a bateria, sem mexer no resto.

Como isso afeta a corrida

Administrar a energia virou parte central de pilotar um F1. Um piloto que gasta toda a bateria para atacar pode ficar sem defesa uma volta depois. Outro que guarda para o final pode passar vários de uma vez.

Por isso os engenheiros falam tanto com o piloto pelo rádio. Pedem que ele economize em certas curvas, guarde energia para uma reta ou mude o modo do motor. Muitas vezes uma ultrapassagem é preparada uma ou duas voltas antes de acontecer, sem que se perceba de fora.

A forma de classificar também mudou. Em uma volta rápida, o objetivo é usar toda a energia disponível sem desperdiçar nada, e um pequeno erro pode custar vários décimos na reta seguinte.

O combustível

Desde 2026 os carros usam combustível 100% sustentável. Continua sendo líquido, mas não vem de petróleo recém-extraído. Além disso, o limite de energia do combustível é menor que antes, e não se pode reabastecer durante a corrida.

Perguntas frequentes

Um F1 pode ficar sem bateria?

Sim, por alguns segundos. Mas ele não para, porque o motor a combustão continua funcionando. Ele só perde muita potência até recarregar.

Por que um piloto parece mais lento sem ter cometido um erro?

Muitas vezes é a energia. Ele pode estar recarregando ou guardando bateria para se defender na volta seguinte. A velocidade na reta já não depende só do acelerador.

Dá para ver quanta bateria um piloto tem?

A transmissão costuma mostrar um indicador de carga junto à velocidade. Ele ajuda a entender por que um carro de repente se aproxima ou se afasta de outro no meio da reta, sem que mais nada tenha mudado.

O que acontece se a parte elétrica quebrar?

O carro perde cerca de metade da potência e quase sempre precisa abandonar. Por isso a confiabilidade é tão importante.

Quanta potência tem um F1?

Somando os dois motores, cerca de 1.000 cavalos. É parecido com o que havia antes, mas com uma divisão completamente diferente.